Menos do que você imagina, se forem um ou dois níveis. O que costuma mudar são movimentos específicos de dobrar a coluna baixa — calçar meia, amarrar cadarço, pegar algo do chão com o tronco. Caminhar, dirigir, nadar, trabalhar e treinar seguem possíveis.

Esta página trata do dia a dia. O que a artrodese é, quando ela é indicada e como se compara à prótese de disco está em artrodese e artroplastia de disco.

O número de níveis é a variável que importa

Estudo com 93 pacientes operados por doença degenerativa lombar, acompanhados em média por 34 meses, comparou grupos conforme o número de segmentos fundidos, de nenhum (só descompressão) até quatro. A limitação relatada nas atividades de vida diária e o componente físico de qualidade de vida pioraram de forma progressiva conforme o número de níveis aumentou [1].

O achado prático é o que interessa: quem foi operado de um ou dois níveis não relatou limitações sérias na maior parte das atividades diárias. Quem foi operado de três ou quatro níveis, especialmente quatro, relatou mais limitação [1]. A satisfação com a cirurgia não diferiu entre os grupos.

Onde a limitação aparece de verdade

Não é na amplitude geral. É em movimentos que exigem dobrar justamente a parte baixa da coluna:

  • pegar objeto do chão flexionando o tronco;
  • calçar meia e amarrar cadarço na posição habitual;
  • sentar no chão e levantar de assentos muito baixos;
  • girar o tronco com carga.

Quase todos têm substituto: dobrar quadril e joelho em vez da coluna, apoiar o pé em um degrau, usar calçadeira. É uma mudança de estratégia motora, não uma incapacidade.

O que costuma continuar possível

Caminhar, dirigir, subir escada, nadar, pedalar, viajar, trabalhar sentado ou em pé, dormir na posição de preferência e manter atividade sexual. Musculação e corrida costumam voltar de forma progressiva e orientada, com prazos definidos em consulta.

Por que travar um segmento pesa menos do que parece

A coluna lombar tem cinco níveis móveis, e acima dela há a coluna torácica. Abaixo, os quadris fazem boa parte do movimento que a maioria das pessoas atribui às costas — quando alguém "se dobra para a frente", está usando quadril e coluna ao mesmo tempo.

Retirar um ou dois níveis dessa conta reduz a amplitude total de forma parcial, e o restante absorve parte do movimento. Retirar muitos níveis é outra conversa, e é exatamente aí que a rigidez aparece na vida prática [1].

Doença do segmento adjacente, sem alarme

É a pergunta seguinte, e ela tem resposta honesta.

Quando um segmento deixa de se mover, os vizinhos assumem parte da carga. Isso pode acelerar o desgaste desses níveis. Revisão sistemática com 15 publicações e 6.253 pacientes descreve a doença do segmento adjacente clinicamente relevante como ocorrendo em 5% a 30% dos operados de artrodese, com idade avançada e obesidade entre os fatores de risco [2].

Dois pontos que reduzem o susto:

Nem toda alteração vira problema. A maior parte do que aparece no exame de controle é degeneração radiológica sem sintoma. O que conta é a doença clínica — dor ou compressão nova naquele nível.

A causa é discutida. Não está estabelecido se o fenômeno decorre da fusão ou se é a continuação natural da artrose da coluna, que teria acontecido de qualquer forma [3]. Em análise de dois ensaios randomizados, o risco de segmento adjacente clínico que exigiu nova cirurgia foi de 7,0% no grupo de artrodese e de 1,2% no grupo de prótese de disco, o que os autores descrevem como taxa baixa em ambos os grupos [3].

Esses números são de populações estudadas e não representam previsão individual.

E a prótese de disco?

A artroplastia preserva o movimento daquele nível e tem indicação própria, mais restrita: depende do disco, das facetas, do alinhamento e da ausência de instabilidade. Ela não é uma versão melhor da artrodese — é outro procedimento, para outro perfil. A comparação está no pilar de artrodese e artroplastia.

Quando procurar atendimento

Vá ao pronto-socorro diante de perda de força progressiva nas pernas, retenção ou incontinência urinária, anestesia em sela, ou febre com dor nas costas — antes ou depois de qualquer cirurgia de coluna.

Procure avaliação se, meses ou anos após a artrodese, aparecer dor nova que desce pela perna, dor que muda de padrão, ou piora progressiva da distância que você consegue caminhar.

Perguntas frequentes

Vou conseguir me abaixar? Sim, mudando o jeito: dobrando quadril e joelhos em vez da coluna baixa. Com um ou dois níveis fundidos, a maioria das atividades diárias não é seriamente limitada [1].

Vou sentir o parafuso ou o material? Não é o esperado. Desconforto local em dias de mais carga pode acontecer; sensação de "peça solta" não é normal e merece avaliação.

Vou precisar operar de novo por causa dos níveis vizinhos? A maioria não. O risco de nova cirurgia por segmento adjacente relatado em ensaios randomizados foi baixo [3]. Idade e outros fatores influenciam, e o acompanhamento existe para identificar cedo.

Posso voltar a treinar musculação? Em geral sim, de forma progressiva e com orientação. Impacto e levantamento de carga máxima entram por último, com liberação individual.


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Referências

  1. Kimura H, Fujibayashi S, Otsuki B, Takahashi Y, Nakayama T, Matsuda S. Effects of lumbar stiffness after lumbar fusion surgery on activities of daily living. Spine (Phila Pa 1976). 2016;41(8):719-27. DOI: https://doi.org/10.1097/BRS.0000000000001300 (PMID: 26630422)
  2. Cannizzaro D, Anania CD, Safa A, Zaed I, Morenghi M, Riva M, et al. Lumbar adjacent segment degeneration after spinal fusion surgery: a systematic review and meta-analysis. J Neurosurg Sci. 2023;67(6):740-9. DOI: https://doi.org/10.23736/S0390-5616.22.05891-X (PMID: 36345970)
  3. Wang JC, Arnold PM, Hermsmeyer JT, Norvell DC. Do lumbar motion preserving devices reduce the risk of adjacent segment pathology compared with fusion surgery? A systematic review. Spine (Phila Pa 1976). 2012;37(22 Suppl):S133-43. DOI: https://doi.org/10.1097/BRS.0b013e31826cadf2 (PMID: 22872221)

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