A parte que dói de verdade é a picada da anestesia local, e dura segundos. O resto costuma ser sentido como pressão, peso ou desconforto, não como dor aguda. O procedimento leva poucos minutos e a alta é no mesmo dia.
A duração do efeito varia muito entre pessoas. Este texto descreve a experiência. A diferença entre bloqueio diagnóstico e terapêutico — o que cada um serve para responder — está em bloqueio, infiltração e radiofrequência na coluna.
O ambiente
Não é sala de consultório. O procedimento é feito em ambiente com aparelho de imagem — em geral fluoroscopia, às vezes tomografia — porque a agulha precisa chegar a um alvo específico, e chegar perto não serve.
Você fica monitorizado, com acesso venoso, sob técnica estéril e campos cirúrgicos. A pele é limpa com antisséptico, o que costuma ser a primeira sensação de frio.
A posição
Na maioria dos procedimentos lombares você fica deitado de bruços, com um apoio sob o abdome para retificar a curva da coluna. Em procedimentos cervicais a posição varia conforme o alvo.
Você precisa ficar parado. Não precisa ficar mudo: em bloqueios que investigam qual estrutura dói, o médico pode pedir que você diga se a sensação reproduzida é a sua dor conhecida ou outra. Essa resposta é parte do exame.
Sedação: quando entra e quando não
Depende do procedimento, do serviço e de você. Parte dos casos é feita apenas com anestesia local. Parte é feita com sedação leve, em que você permanece consciente e responsivo. A associação de sedação consciente com procedimentos guiados por fluoroscopia na coluna lombar é descrita como viável e segura, com tempo de recuperação maior em pacientes acima de 70 anos [1].
Há um contrapeso que o paciente costuma não saber: sedação profunda tira justamente a informação que alguns bloqueios buscam — o que você sente durante e logo depois. Por isso, em procedimento diagnóstico, sedação leve costuma ser preferida à profunda. Discuta isso antes, não na sala.
O que se sente durante
- A picada da anestesia local. Ardência de alguns segundos. É o pior momento, e ele passa.
- Pressão e peso. Depois da anestesia da pele, o que se sente é o avanço da agulha como empurrão, não como corte.
- Uma fisgada breve conhecida. Quando a agulha se aproxima da raiz nervosa, pode surgir por segundos a dor que desce pela perna ou pelo braço — a sua dor. Incomoda e é informação útil. Avise.
- Calor ou queimação passageira no momento da injeção.
A maior parte das pessoas descreve o conjunto como desconfortável e tolerável, não como dor intensa.
Quanto tempo leva e como é a alta
O procedimento em si leva poucos minutos. Some o preparo, o posicionamento e a observação depois, e o dia costuma render algumas horas no serviço.
A perna ou o braço podem ficar dormentes, pesados ou mais fracos por algumas horas, por efeito do anestésico local. É esperado e passa. Vá acompanhado e não dirija no dia.
O desconforto que aumenta antes de melhorar
Esta é a parte que mais assusta quem não foi avisado.
O padrão comum tem três fases: alívio imediato de horas, pelo anestésico local; volta da dor quando ele passa, às vezes com piora por um a três dias; e só então o efeito do corticoide, que se instala ao longo de dias.
Piorar no dia seguinte não significa que o procedimento falhou. Significa que o anestésico acabou e o resto ainda não começou. Avaliar resultado antes de uma a duas semanas leva a conclusão errada.
Quanto dura o efeito, honestamente
Depende do alvo, da causa da dor e da pessoa.
Para dor radicular por hérnia de disco, revisão sistemática com metanálise de ensaios randomizados encontrou melhora significativa de dor e de função aos 3 e aos 6 meses após injeção transforaminal [2]. Para estenose central e para dor após cirurgia prévia, a mesma revisão classifica a evidência como bem mais fraca [2].
Em estudos de injeção transforaminal cervical, a proporção de pacientes com redução de pelo menos metade da dor foi de 48% em um mês e 55% em três meses, com evidência de qualidade muito baixa [3]. Em bloqueios de ramo medial para dor facetária, uma parte dos pacientes manteve alívio prolongado, outra teve alívio transitório e outra não teve resposta [4].
Traduzindo para a expectativa: parte das pessoas tem alívio relevante por semanas a meses, parte tem alívio curto e parte não responde. Nenhum desses procedimentos corrige a alteração estrutural da coluna — eles compram tempo e janela para reabilitação.
Quando procurar atendimento
Vá ao pronto-socorro se, depois do procedimento, aparecer: febre, dor crescente e vermelhidão no local da punção, perda de força nova nas pernas, retenção ou incontinência urinária, anestesia em sela, ou dor de cabeça intensa que piora ao ficar em pé.
Contate a equipe se a dormência não regredir no prazo orientado, se surgir formigamento novo persistente, ou se você tem diabetes e notar alteração importante da glicemia nos dias seguintes.
Perguntas frequentes
Vou sair sem dor? Pode sair, por algumas horas, por efeito do anestésico. Esse alívio inicial não é o resultado final — o resultado se avalia depois de uma a duas semanas.
Posso repetir? Pode, dentro de critérios. O número e o intervalo de repetições são definidos em consulta e dependem da resposta anterior e do quadro.
Volto a trabalhar no dia seguinte? Em geral sim, em trabalho sem esforço, se a dormência tiver passado. Trabalho com carga ou direção prolongada depende de liberação individual.
Corticoide injetado na coluna faz mal? Efeitos sistêmicos passageiros podem ocorrer, incluindo elevação da glicemia em pessoas com diabetes. Avise a equipe se você tem diabetes, hipertensão ou usa anticoagulante.
Leia também
- Bloqueio, infiltração e radiofrequência na coluna
- Dor sacroilíaca e facetária: quando não é hérnia
- Quando operar hérnia de disco — e quando não operar
Agende uma avaliação.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem de avaliação individual.
Referências
- Kang SY, Kashlan ON, Singh R, Rane R, Adsul NM, Jung SC, et al. Advantages of the combination of conscious sedation epidural anesthesia under fluoroscopy guidance in lumbar spine surgery. J Pain Res. 2020;13:211-9. DOI: https://doi.org/10.2147/JPR.S227212 (PMID: 32021410)
- Helm S 2nd, Harmon PC, Noe C, Calodney AK, Abd-Elsayed A, Knezevic NN, et al. Transforaminal epidural steroid injections: a systematic review and meta-analysis of efficacy and safety. Pain Physician. 2021;24(S1):S209-32. (PMID: 33492919 — registro sem DOI)
- Conger A, Cushman DM, Speckman RA, Burnham T, Teramoto M, McCormick ZL. The effectiveness of fluoroscopically guided cervical transforaminal epidural steroid injection for the treatment of radicular pain; a systematic review and meta-analysis. Pain Med. 2020;21(1):41-54. DOI: https://doi.org/10.1093/pm/pnz127 (PMID: 31181148)
- Liu M, Shaparin N, Nair S, Kim RS, Hascalovici JR. Chronic low back pain: the therapeutic benefits of diagnostic medial branch nerve blocks. Pain Physician. 2021;24(4):E521-8. (PMID: 34213878 — registro sem DOI)
- Yuce I, Kahyaoglu O, Ataseven M, Cavusoglu H, Aydin Y. Diagnosis and treatment of transforaminal epidural steroid injection in lumbar spinal stenosis. Sisli Etfal Hastan Tip Bul. 2020;54(3):327-32. DOI: https://doi.org/10.14744/SEMB.2020.89983 (PMID: 33312031)
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
Precisa de uma avaliação?
A recepção informa agenda, convênios e atendimento particular.
Agendar consulta