É desconfortável, e o desconforto é breve e localizado. Não é um exame indolor, e dizer que não se sente nada seria falso — mas a maior parte das pessoas o completa sem interrupção.
O exame tem duas etapas, com sensações diferentes, e saber qual é qual muda bastante a experiência. Um ensaio clínico randomizado com 128 pacientes mostrou que quem recebeu informação escrita sobre o exame antes de fazê-lo relatou menos ansiedade durante a etapa de estimulação [1]. Ou seja: ler isto aqui tem efeito prático.
As duas etapas e por que a sensação é diferente
Condução nervosa. Eletrodos de superfície são colados na pele e um estímulo elétrico curto é aplicado sobre o trajeto do nervo. A sensação é de um choque rápido, com um repuxão involuntário do músculo — estranho mais do que doloroso, e repetido algumas vezes por nervo estudado.
Eletromiografia de agulha. Uma agulha fina é introduzida no músculo e registra a atividade elétrica em repouso e durante a contração. A sensação é de uma picada seguida de um incômodo profundo, parecido com cãibra, quando é pedido que você contraia.
Não há aplicação de medicamento nem coleta de material: a agulha só registra.
Qual das duas incomoda mais
Provavelmente não é a que você imagina. Em uma série com 200 pacientes que fizeram as duas etapas, 58,5% acharam a condução nervosa mais incômoda que a agulha [2].
O mesmo estudo descreve tendências: pacientes acima de 60 anos e com índice de massa corporal mais alto acharam a estimulação pior; os mais jovens e de IMC mais baixo acharam a agulha pior; e o desconforto da condução nervosa aumentou com o número de nervos estudados [2]. É uma série de um único serviço, não uma regra individual.
Em crianças, um estudo prospectivo com 100 casos registrou dor na faixa moderada, e 66% descreveram o incômodo como igual ou menor que o de uma coleta de sangue [3] — comparação útil porque quase toda família tem essa referência.
Vale um dado de outro território, com o mesmo princípio: em 80 pacientes submetidos a eletromiografia de laringe, a dor antecipada antes do exame não diferiu da relatada depois, o que os autores atribuíram à orientação prévia [4].
Quanto tempo dura
Depende de quantos nervos e músculos precisam ser estudados, o que é definido pela pergunta clínica e não por um protocolo fixo: investigar a compressão de um nervo só é bem mais rápido que investigar uma polineuropatia difusa. Peça a estimativa ao agendar — é o que mais varia entre serviços.
Preparo
- Pele limpa e sem creme, óleo ou hidratante no dia do exame. Produto na pele interfere no contato dos eletrodos.
- Roupa que permita expor braços e pernas — ou peça larga, fácil de tirar.
- Sem esmalte nos dedos que serão estudados, quando o serviço solicitar.
- Leve a lista completa de medicações e os exames anteriores, inclusive eletroneuromiografias prévias, que servem de comparação.
- Não suspenda nenhum medicamento por conta própria. Nada precisa ser interrompido por iniciativa do paciente.
O que você precisa avisar antes
Informe ao médico que fará o exame, antes de começar:
- Uso de anticoagulante ou antiagregante, ou distúrbio de coagulação conhecido. A conduta em relação à etapa de agulha varia entre serviços e é decidida caso a caso.
- Marca-passo, cardiodesfibrilador implantável ou outro dispositivo cardíaco implantado. O estímulo elétrico da condução nervosa exige cuidado com o posicionamento, e a equipe precisa saber antes.
- Linfedema, fístula arteriovenosa de diálise ou cateter em um dos membros.
- Infecção de pele ou ferida aberta na região a ser estudada.
- Gravidez.
Nenhum desses itens significa automaticamente que o exame está proibido — significa que o planejamento muda.
Depois do exame
Não há restrição de dirigir, trabalhar ou comer. Pode ficar uma sensibilidade leve, como a de um músculo que treinou demais, por algumas horas, e pequenas marcas nos pontos da agulha ou dos eletrodos. Um hematoma pequeno é possível.
Procure avaliação se aparecer dor progressiva, vermelhidão que aumenta, calor local ou febre nos dias seguintes — sinais de infecção, que é evento raro, mas que tem conduta definida.
Quando o laudo sai
O prazo é definido pelo serviço que realizou o exame — pergunte no dia. O laudo descreve onde o nervo ou o músculo está comprometido e como, e não diz por si só qual é a causa; a causa vem da história clínica e da investigação complementar. Isso está detalhado em exames neurológicos.
O resultado deve ser lido junto com quem pediu o exame. Levar o laudo isolado a um buscador tende a produzir mais susto do que informação.
Quando procurar atendimento
Não espere a data do exame e procure avaliação médica se, enquanto aguarda:
- A fraqueza progredir rapidamente, em dias, especialmente se começou nas pernas e subiu
- Surgir dificuldade para engolir, falar ou respirar
- Aparecer alteração para urinar ou evacuar junto com fraqueza nas pernas
Nesses três cenários, o caminho é o pronto-socorro, não o exame agendado.
Perguntas frequentes
Posso pedir anestesia ou sedação? Não é a prática habitual em adultos: anestesia local altera o registro e a sedação não é necessária para um exame curto. Em situações específicas, a conduta é discutida antes.
A agulha é reaproveitada? Não. São de uso único e descartadas após o exame.
Tomo anticoagulante. Vou precisar suspender? Não suspenda nada por conta própria. Avise ao serviço no agendamento: a decisão sobre a etapa de agulha é individual e cabe a quem prescreveu o anticoagulante junto com quem fará o exame.
Fiz e não aguentei terminar. Isso invalida o exame? Não necessariamente. O que foi registrado costuma ser aproveitado, e o laudo indica o que ficou incompleto. Vale conversar sobre o que incomodou antes de repetir. Veja também neuropatias periféricas e doenças neuromusculares.
Agende uma avaliação.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem de avaliação individual.
Referências
- Lai YL, Van Heuven A, Borire A, Kandula T, Colebatch JG, Krishnan AV, et al. The provision of written information and its effect on levels of pain and anxiety during electrodiagnostic studies: A randomised controlled trial. PLoS One. 2018;13(5):e0196917. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0196917 (PMID: 29758078)
- Jerath NU, Strader SB, Reddy CG, Swenson A, Kimura J, Aul E. Factors influencing aversion to specific electrodiagnostic studies. Brain Behav. 2014;4(5):698-702. DOI: https://doi.org/10.1002/brb3.240 (PMID: 25328846)
- Alshaikh NM, Martinez JP, Pitt MC. Perception of pain during electromyography in children: A prospective study. Muscle Nerve. 2016;54(3):422-426. DOI: https://doi.org/10.1002/mus.25069 (PMID: 26852012)
- O'Connell Ferster AP, Hu A. Perceptions of pain of laryngeal electromyography. Laryngoscope. 2018;128(4):896-900. DOI: https://doi.org/10.1002/lary.26860 (PMID: 28895154)
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