Flacidez é perda de sustentação dos tecidos, e por isso não responde às mesmas coisas que uma ruga de expressão. Ultrassom microfocado, radiofrequência e fios absorvíveis se propõem a agir sobre sustentação, cada um por um caminho diferente.

Há um ponto que este texto trata como eixo: existe um grau de flacidez em que o resultado de método não cirúrgico é modesto, e a alternativa honesta é cirúrgica.

Por que flacidez é um problema diferente de ruga

Ruga de expressão depende de contração muscular e é o alvo da toxina botulínica. Perda de volume é outro mecanismo, tratado em preenchimento com ácido hialurônico. Métodos que atuam sobre músculo ou sobre volume não corrigem flacidez.

Flacidez é um terceiro mecanismo, e os métodos desta página trabalham por dois caminhos: estímulo térmico ao tecido, que ao longo de semanas leva à produção de colágeno, ou suspensão mecânica por fio absorvível.

Ultrassom microfocado: o que a evidência mostra

Uma revisão sistemática de 16 estudos reuniu o que se mediu objetivamente: elevações de sobrancelha entre 0,47 e 1,7 mm e redução da área submentoniana em fotografia de perfil [1].

Nas escalas de avaliação, 92% dos pacientes foram classificados pelo investigador como tendo alguma melhora aos 90 dias. A avaliação feita pelo próprio paciente foi mais baixa e descrita pelos autores como melhora leve: 42% aos 90 dias e 53% aos 360 dias [1].

Os dois números mostram a distância entre o que o avaliador registra e o que o paciente percebe. A mesma revisão informa que não há dados de seguimento de longo prazo disponíveis [1].

Radiofrequência e fios: o que a evidência mostra

Uma revisão de 23 artigos sobre radiofrequência monopolar e bipolar concluiu haver evidência clínica de melhora mensurável de flacidez, com a maioria das complicações de natureza menor e transitória e taxas de complicação maior mais altas com dispositivos monopolares [2].

Sobre fios absorvíveis, uma revisão de 12 estudos com 818 pacientes registrou melhora nas escalas usadas logo após o procedimento, seguimento máximo de dois anos e complicações leves. Os autores concluem que faltam dados de eficácia a longo prazo [3].

Em fototipos mais altos, a metanálise de eventos adversos de tecnologias não ablativas aponta a radiofrequência entre as de menor risco de hiperpigmentação pós-inflamatória [4] — tema detalhado em Lasers e tecnologias.

O limite: quando o método não cirúrgico entrega pouco

A revisão de ultrassom microfocado é explícita. Ela conclui que o método é eficaz em flacidez leve a moderada e coloca flacidez excessiva e índice de massa corporal acima de 30 como contraindicações relativas, porque os resultados positivos diminuem à medida que a flacidez aumenta [1].

É o oposto do que a divulgação sugere: quanto maior a flacidez, menos o método não cirúrgico tem a oferecer.

Diante de flacidez acentuada, a conversa não é sobre quantas sessões seriam necessárias, e sim sobre indicação cirúrgica, avaliada por cirurgião plástico. Um serviço que não diz isso está oferecendo sessões a quem não vai se beneficiar delas.

O que declarar sobre a qualidade da evidência

Boa parte do material que circula sobre estas tecnologias não é evidência independente. Um consenso de painel sobre ultrassom microfocado declara ter recorrido a documentos internos quando não havia dados revisados por pares, e afirma que muitas plataformas reivindicam eficácia e segurança semelhantes sem evidência que as sustente [5].

Documentos assim são úteis como descrição de prática, não como demonstração de eficácia.

Em resumo: ultrassom microfocado tem desfechos objetivos medidos, sem seguimento longo [1]; radiofrequência tem revisão favorável em segurança, sem magnitude quantificada [2]; fios têm efeito imediato documentado e ausência declarada de dados de longo prazo [3].

Quem não é candidato

Flacidez acentuada e índice de massa corporal acima de 30 aparecem na revisão como contraindicações relativas [1]. Infecção ativa na área e feridas abertas adiam o procedimento.

Expectativa desalinhada é a contraindicação menos citada: quem espera de um método não cirúrgico o efeito de uma cirurgia não é candidato a esse método.

Sinais de complicação e o que fazer

Uma revisão de eventos adversos após ultrassom microfocado reuniu 19 artigos com 506 pacientes e 106 registros de uma base de notificação de fabricantes e usuários. Na literatura, os achados mais frequentes foram edema, eritema e dor transitórios [6].

Na base de notificação — cujos registros os autores classificam como em grande parte não verificados — os relatos mais frequentes foram perda de gordura localizada, alterações neurológicas (lesão de nervo, dormência focal, disestesia, ptose) e cicatriz [6]. A distinção entre as fontes é parte da informação.

Procure a equipe que realizou o procedimento diante de:

  • dormência, formigamento persistente ou dificuldade de mover parte do rosto
  • assimetria nova, queda de pálpebra ou de canto de boca
  • depressão ou afundamento em área tratada
  • dor que piora, vermelhidão que aumenta, calor local ou febre
  • em caso de fios: nó visível, fio exteriorizando, ondulação persistente

Procure atendimento no mesmo dia diante de febre com piora local, secreção ou alteração motora do rosto de instalação súbita.

Duração, quem realiza e o que determina o valor

Não há prazo único. O seguimento mais longo de ultrassom microfocado chegou a 360 dias [1] e o de fios a dois anos [3]. Manutenção é expectativa razoável, e a periodicidade é decisão de avaliação.

O procedimento é ato de saúde, realizado por profissional habilitado e legalmente autorizado, com produto e equipamento regularizados na Anvisa. O valor depende da tecnologia indicada, das áreas avaliadas e do número de sessões previstas.

Perguntas frequentes

Ultrassom microfocado substitui cirurgia? Não. A revisão sistemática o descreve como eficaz em flacidez leve a moderada e registra queda de resultado conforme a flacidez aumenta [1].

Fios de PDO levantam o rosto de forma duradoura? Há melhora documentada logo após o procedimento; os autores da revisão declaram que faltam dados de eficácia a longo prazo [3].

Fazer ultrassom microfocado atrapalha uma cirurgia no futuro? A revisão localizou um único relato desse tipo, em base de notificação, e conclui que a literatura científica não sustenta a preocupação [6]. É assunto para informar ao cirurgião.


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Referências

  1. Contini M, Hollander MHJ, Vissink A, Schepers RH, Jansma J, Schortinghuis J. A Systematic Review of the Efficacy of Microfocused Ultrasound for Facial Skin Tightening. Int J Environ Res Public Health. 2023;20(2):1522. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph20021522 (PMID: 36674277)
  2. Rohrich RJ, Schultz KP, Chamata ES, Bellamy JL, Alleyne B. Minimally Invasive Approach to Skin Tightening of the Face and Body: Systematic Review of Monopolar and Bipolar Radiofrequency Devices. Plast Reconstr Surg. 2022;150(4):771-780. DOI: https://doi.org/10.1097/PRS.0000000000009535 (PMID: 35877937)
  3. Riopelle AM, Geisler AN, Eber A, Dover JS. Update on Absorbable Facial Thread Lifts. Dermatol Surg. 2025;51(5):509-514. DOI: https://doi.org/10.1097/DSS.0000000000004521 (PMID: 39662017)
  4. Hu S, Atmakuri M, Rosenberg J. Adverse Events of Nonablative Lasers and Energy-Based Therapies in Subjects with Fitzpatrick Skin Phototypes IV to VI: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthet Surg J. 2022;42(5):537-547. DOI: https://doi.org/10.1093/asj/sjab398 (PMID: 35019139)
  5. Park JY, Lin F, Suwanchinda A, Wanitphakdeedecha R, Yu J, Lim TS, et al. Customized Treatment Using Microfocused Ultrasound with Visualization for Optimized Patient Outcomes: A Review of Skin-tightening Energy Technologies and a Pan-Asian Adaptation of the Expert Panel's Gold Standard Consensus. J Clin Aesthet Dermatol. 2021;14(5):E70-E79. (PMID: 34188753)
  6. Humphrey VS, Rambhia PH, Gmyrek R, Chapas A. Microfocused Ultrasound With Visualization: A Systematic Review of Adverse Events and Risk of Subsequent Facelift Compromise. Dermatol Surg. 2025;51(4):424-429. DOI: https://doi.org/10.1097/DSS.0000000000004510 (PMID: 39625163)

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