Depende do que se espera dele. Alguns bloqueios são feitos para descobrir de onde vem a dor; outros, para aliviar por um período. Nenhum dos dois corrige a alteração estrutural da coluna. Saber disso antes evita a frustração depois.

Duas finalidades que não se confundem

Finalidade diagnóstica. Injeta-se anestésico local em uma estrutura suspeita — uma articulação, um nervo específico. Se a dor cai de forma expressiva nas horas seguintes, aquela estrutura provavelmente é a fonte. O efeito curto é esperado: o teste termina quando o anestésico passa.

Esse teste não é perfeito. Nos bloqueios facetários lombares, a taxa de resposta falso-positiva descrita na literatura vai de 25% a 44% [1]. Por isso o critério mais rigoroso usa dois bloqueios comparativos antes de qualquer decisão baseada neles.

Finalidade terapêutica. Aqui o objetivo é reduzir a dor por semanas ou meses, para permitir reabilitação e retomada de atividade.

O bloqueio que confirma a origem da dor é tão útil quanto o que alivia — porque muda a conduta seguinte.

Os procedimentos mais usados

Injeção epidural de corticosteroide. Indicada na dor que irradia por raiz nervosa comprimida ou inflamada. Comparada a placebo, reduz mais a dor na perna às 6 semanas e aos 3 meses, mas a diferença média ficou abaixo do limiar de relevância clínica definido nos próprios estudos [2]. Outra revisão encontrou alívio de curto e médio prazo e redução do uso de analgésicos, com efeito limitado no longo prazo [3].

Bloqueio de ramo medial e bloqueio facetário. Usados sobretudo para testar a hipótese de dor facetária.

Bloqueio sacroilíaco. O diagnóstico dessas duas dores é assunto da página de dor sacroilíaca e facetária.

Radiofrequência de ramos mediais. Interrompe a condução dos pequenos nervos que inervam a articulação. Não é definitiva: os nervos se regeneram. Em três ensaios randomizados, acrescentar radiofrequência a um programa de exercício não produziu melhora clinicamente importante da dor lombar crônica [4]. Já em uma coorte selecionada pelo critério estrito de dois bloqueios comparativos com pelo menos 80% de alívio, entre 44% e 66% dos pacientes mantinham redução de metade da dor nas faixas de 6 a mais de 24 meses [5]. A diferença entre os dois resultados está, em boa parte, na seleção.

Como é feito

O procedimento é ambulatorial, em sala equipada com imagem — radioscopia ou ultrassom. O controle de imagem não é um detalhe: a posição da agulha determina tanto o efeito quanto a segurança [6].

Usa-se anestesia local. O paciente permanece acordado, porque a resposta que ele relata faz parte do exame quando a finalidade é diagnóstica. A aplicação leva poucos minutos, seguida de um período curto de observação, e a alta costuma ser no mesmo dia.

Quanto dura e o que não muda

O alívio da injeção epidural se concentra nas primeiras semanas e tende a se reduzir com o tempo [2,3]. O da radiofrequência é contado em meses e o procedimento pode ser repetido — decisão individual, não automática.

Nenhum deles retira uma hérnia, alarga um canal estreito ou desfaz artrose. O que fazem é abrir uma janela de menos dor. O que ocupa essa janela — exercício, reabilitação, ajuste de carga e de rotina — é o que sustenta o resultado [7].

Riscos e complicações

Eventos frequentes e autolimitados: dor no local da punção, piora transitória da dor nos primeiros dias, reação vasovagal, hematoma pequeno. O corticosteroide pode causar rubor facial, insônia e elevação temporária da glicemia [8].

Eventos raros e graves: infecção, hematoma epidural, punção da dura-máter com dor de cabeça postural e lesão nervosa. Há ainda um risco específico da via transforaminal: a injeção acidental de corticosteroide particulado dentro de uma artéria, com infarto embólico. Ele se concentra nas vias cervical e torácica [6,8].

Esse conjunto motivou alerta regulatório internacional para os corticosteroides injetáveis, depois de notificações de eventos neurológicos graves, incluindo aracnoidite, e de um surto de meningite fúngica por lote contaminado [9]. Revisão da via transforaminal cervical encontrou, junto aos relatos de eficácia, publicações de mortes e de lesões neurológicas catastróficas [10].

São eventos raros. É por causa deles, e não apesar deles, que existem as precauções: preferência por agentes não particulados na via transforaminal, cautela específica no pescoço e controle de imagem obrigatório [6].

Uso de anticoagulante, infecção ativa e diabetes descompensado precisam ser informados antes — mudam a indicação ou o preparo.


Quando procurar atendimento

Procure avaliação médica se a dor persiste por semanas sem melhora, se há perda de força ou se o quadro muda de padrão.

Depois de um procedimento, procure atendimento diante de febre, dor que cresce em vez de ceder, vermelhidão no local da punção, fraqueza nova ou dor de cabeça intensa que piora em pé.

Síndrome da cauda equina é emergência cirúrgica. Procure um pronto-socorro imediatamente diante de:

  • retenção urinária ou incontinência urinária ou fecal;
  • anestesia em sela (perda de sensibilidade na região genital, perineal e interna das coxas);
  • déficit motor progressivo, especialmente bilateral.

Perguntas frequentes

Bloqueio é cirurgia? Vou dormir? Não é cirurgia. É feito com anestesia local, em ambiente com imagem, e o paciente fica acordado.

Melhorei só por alguns dias. O procedimento falhou? Se a finalidade era diagnóstica, não. A duração curta é esperada e a informação obtida é o resultado.

Quantos posso fazer? Não existe número fixo. A repetição depende da resposta ao anterior, do intervalo e do quadro clínico. Bloqueio repetido sem resposta anterior não se justifica.

Se o bloqueio funcionar, vou escapar da cirurgia? Nem sempre, e não é essa a pergunta que ele responde. Ele informa a origem da dor e pode adiar ou dispensar uma cirurgia em parte dos casos — mas a decisão cirúrgica depende do quadro completo.


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Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem de avaliação individual.


Referências

  1. Boswell MV, Manchikanti L, Kaye AD, Bakshi S, Gharibo CG, Gupta S, et al. A best-evidence systematic appraisal of the diagnostic accuracy and utility of facet (zygapophysial) joint injections in chronic spinal pain. Pain Physician. 2015;18(4):E497-533. (PMID: 26218947)
  2. Verheijen EJA, Bonke CA, Amorij EMJ, Vleggeert-Lankamp CLA. Epidural steroid compared to placebo injection in sciatica: a systematic review and meta-analysis. Eur Spine J. 2021;30(11):3255-64. DOI: https://doi.org/10.1007/s00586-021-06854-9 (PMID: 33974132)
  3. Zhang J, Zhang R, Wang Y, Dang X. Efficacy of epidural steroid injection in the treatment of sciatica secondary to lumbar disc herniation: a systematic review and meta-analysis. Front Neurol. 2024;15:1406504. DOI: https://doi.org/10.3389/fneur.2024.1406504 (PMID: 38841695)
  4. Juch JNS, Maas ET, Ostelo RWJG, Groeneweg JG, Kallewaard JW, Koes BW, et al. Effect of radiofrequency denervation on pain intensity among patients with chronic low back pain: the Mint randomized clinical trials. JAMA. 2017;318(1):68-81. DOI: https://doi.org/10.1001/jama.2017.7918 (PMID: 28672319)
  5. Conger A, Burnham T, Salazar F, Tate Q, Golish M, Petersen R, et al. The effectiveness of radiofrequency ablation of medial branch nerves for chronic lumbar facet joint syndrome in patients selected by guideline-concordant dual comparative medial branch blocks. Pain Med. 2020;21(5):902-9. DOI: https://doi.org/10.1093/pm/pnz248 (PMID: 31609391)
  6. Delaney FT, MacMahon PJ. An update on epidural steroid injections: is there still a role for particulate corticosteroids? Skeletal Radiol. 2023;52(10):1863-71. DOI: https://doi.org/10.1007/s00256-022-04186-3 (PMID: 36171350)
  7. Qaseem A, Wilt TJ, McLean RM, Forciea MA. Noninvasive treatments for acute, subacute, and chronic low back pain: a clinical practice guideline from the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2017;166(7):514-30. DOI: https://doi.org/10.7326/M16-2367 (PMID: 28192789)
  8. Schneider BJ, Maybin S, Sturos E. Safety and complications of cervical epidural steroid injections. Phys Med Rehabil Clin N Am. 2018;29(1):155-69. DOI: https://doi.org/10.1016/j.pmr.2017.08.012 (PMID: 29173660)
  9. Manchikanti L, Benyamin RM. Key safety considerations when administering epidural steroid injections. Pain Manag. 2015;5(4):261-72. DOI: https://doi.org/10.2217/pmt.15.17 (PMID: 26059467)
  10. Engel A, King W, MacVicar J. The effectiveness and risks of fluoroscopically guided cervical transforaminal injections of steroids: a systematic review with comprehensive analysis of the published data. Pain Med. 2014;15(3):386-402. DOI: https://doi.org/10.1111/pme.12304 (PMID: 24308846)

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